Projeto fotográfico resgata a autoestima de mulheres com câncer


Alba Lucia Dias, uma das protagonistas do projeto

“Uma imagem vale mais que mil palavras”. Já ouviu isso em algum lugar? Se sim, é porque, de certa forma, esse ditado guarda suas verdades, e foi a partir dessa premissa que nasceu o projeto InspiraDor, que fez da luta contra o câncer uma verdadeira obra de arte.

Em exposição desde o dia 2 de outubro, o projeto está em livre visitação no Continente Park Shopping, em São José, mostrando um lado diferente de 15 mulheres que enfrentam o câncer e que aceitaram compartilhar suas experiências de vida. As fotografias, com claras referências renascentistas e barrocas, trazem um novo significado ao uso do véu, outrora estigmatizado como símbolo de perda de identidade estética causada pelo tratamento de quimioterapia. 


Ato de abertura da exposição no Continente Park Shopping

Criador do projeto e responsável pela elaboração do conceito que deu cara às fotografias das 15 mulheres, o fotógrafo Jean Habkost descreve sua arte como um meio e não um fim, elevando a importância do processo artístico em comparação ao seu resultado que, segundo ele, nunca termina.
"Gratidão é o sentimento que permeia essa exposição, já que eu fui ajudar as meninas e no fundo eu saí mais ajudado ainda a partir da lição de vida que elas passam, e essa troca é enriquecedora".
 Jean conhece a luta contra o câncer bem de perto. Viu sua mãe vencer o câncer no ano passado, o que lhe causou uma profunda mudança de mentalidade e comportamento.
"Todo o projeto foi criado com o intuito de agradecer a Deus e aos médicos pelo tratamento ter dado certo, mesmo tendo muitas chances de dar errado. E, de fato, não deu. Aquele momento não era o dela. Então, meu sentimento de gratidão é muito grande e o projeto todo é isso: a vida, a saúde da minha mãe e a ajuda para o restante das meninas".
Jean Habkost ao lado de algumas das suas fotografias expostas

Parte fundamental da equipe, a estudante de psicologia e integrante do time Real Map Imóveis, Karol Pickler, acompanhou passo a passo do projeto que marcou de um jeito diferente cada um dos voluntários.
"São vários sentimentos que vêm a tona quando falo desse projeto. Fazer esse papel de escuta me fez pensar em como nós mulheres não prestamos atenção em nós mesmas, em nosso corpo e em nossa mente. Percebi que a vida precisa ser vivida de forma leve, mas ao mesmo tempo intensa a ponto de não deixar para o amanhã as nossas vontades e sentimentos em detrimento de outros."
Karol se emociona ao ouvir os registros que fez enquanto conversava com as mulheres. Para ela, o sentimento de gratidão impera do início ao fim.
"Ter amor próprio faz a diferença, e como essas mulheres se amam. São mulheres guerreiras, esposas, avós, dona de casa, trabalhadoras, amigas, e que sempre me receberam com um sorriso no rosto e um abraço apertado. Elas vieram direto da quimioterapia para participar do ensaio, e me mostraram suas cicatrizes mais profundas.  São exemplos de persistência, afinal não desistem nem mesmo quando o câncer insiste em voltar."
Karol Pickler ao lado de uma das 15 mulheres que ouviu durante a execução do projeto

Abrir seu coração não é uma tarefa fácil quando as lágrimas aparecem sem ao menos avisar. Rozane Ferreira, uma das 15 fotografadas, afirma tirar forças de onde nem imagina para continuar lutando.
"Você sempre ouve falar das histórias, sobre o CEPON (Centro de Pesquisas Oncológicas), sobre quimio e radioterapia, mas quando descobre que você mesma tem câncer, a primeira coisa que me veio em mente é que eu iria morrer. Então foi preciso colocar tudo para fora, chorar, buscar apoio, ressignificar e se fortalecer. Há um motivo para tudo na vida."
Rozane foi diagnosticada com câncer em 2015. Precisou retirar uma das mamas, cortar o cabelo e enfrentar de frente o preconceito. Conta, também, que descobrir o Instituto Bem Viver foi encontrar uma ajuda para entender a doença e superar para de tudo que já havia passado.
"Se Deus me colocou lá junto de todas essas mulheres, é porque somos muito guerreiras e somos muito mais que um câncer."
A paranaense é uma das 15 fotografas do projeto InspiraDor

Acolhendo pessoas com diversos tipos de câncer, o Instituto Bem Viver é referência no município e considera o reconhecimento que vem recebendo desde o início da exposição como uma injeção de autoestima para cada uma das mulheres fotografadas. A assistente social da entidade, Tatyana Karen de Oliveira, reforça a gratidão para cada pessoa que toma conhecimento do projeto e do instituto através da exposição.
"Para nós que lutamos tanto para que o instituto tivesse visibilidade, é extremamente importante. E não apenas para a instituição, mas para cada uma delas, que mesmo passando por histórias difíceis, como é relatado abaixo de cada um dos quadros, cada uma tem a sua beleza, e mesmo depois de uma tempestade, o arco íris volta a brilhar."
Tatyana é assistente social no Instituto Bem Viver

Confira algumas fotos dos primeiros dias da exposição:

Jean emocionado no ato de abertura da exposição

Rita de Cássia Romão ao lado de sua fotografia

Tatyane e Cleusa, à esquerda, Karol e Patrícia, à direita

Karol Pickler, Suzana Morais e Renê Lautharte, da equipe Real Map, e o fotógrafo Jean Habkost

As mulheres da Real Map Imóveis que prestigiaram a abertura do evento ao lado de Jean Habkost

O InspiraDor, projeto patrocinado pela Real Map Imóveis, continuará em exposição gratuita no Continente Park Shopping até o dia 31 de outubro.

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